sábado, 26 de abril de 2008

Máquina de Cordas

Esta semana depois de ficar parado um bom tempo resolvi começar a montar a máquina de cordas, fiz o primeiro protótipo que pode ser visto ao lado.

Como vocês podem perceber, minha habilidade manual para esse tipo de coisa não é lá muito boa. Falta de equipamentos adequados e improvisações dá nisso. Felizmente a maquininha parecia funcionar bem, identifiquei alguns problemas iniciais, e já pensei em algumas formas de melhorar o projeto dela.

O funcionamento dela é meio estranho de entender se você não sabe como uma máquina de cordas funciona, mas na realidade é bem simples.


De um lado nós temos uma ponta onde os feixes de fios são presos aos ganchos separadamente, as escolhas mais comuns são 2, 3 e 4 feixes. Eu preferi utilizar 4 para obter uma corda mais "arredondada" se é que isso faz algum sentido para vocês. Nesta ponta embora os ganchos sejam separados, eles se movimentam em conjunto e no mesmo sentido. Do outro lado nós temos apenas um gancho onde todos os fios são presos juntos.

O princípio do funcionamento é o seguinte: nós separamos os fios em feixes (4 neste caso) e prendemos os feixes nos ganchos separados, e a outra ponta nós prendemos todos eles no único gancho. Depois, os ganhos separados serão girados num sentido (ex: anti-horário), e isso fará com que os fios de cada feixe fiquem torcidos. Se você juntar um monte de fios e girá-los dessa forma, embora isso pareça uma corda assim que você soltar eles irão começar a se destorcer.

Aí que entra a função da outra ponta. Depois que os fios dos feixes foram torcidos o suficiente (a torção em todos eles é a mesma pois os ganhos se movimentam em conjunto), você sai desta ponta e vai para a outra, e lá você irá girar o único ganho no sentido contrário ao sentido da ponta anterior (neste caso, sentido horário). Isso fará que com os 4 feixes comecem a se torcer como os fios deles se torceram. Se você ainda não entendeu o que acontece eu te explico a mágica: como você tem os fios dos feixes tentando se destorcer para um sentido e os próprios feixes tentando se destorcer para o outro, um segura o outro no lugar e a corda permanece estável. :)

É assim que são feitos a maior parte dos barbantes, cordas e linhas não trançadas.

Para o teste inicial fiz a corda mais fina possível utilizando 4 feixes, uma corda de 8 fios. Ela ficou com um 0,4 mm diâmetro e com 0,26 g/m linear, medidas que estavam dentro do previsto inicialmente, o que é um ótimo sinal.

Eu queria testar a corda, aí aproveitei o violino que tenho em casa e que estava faltando uma corda para testar o som. Coloquei a corda no lugar; calculei a frequência que a corda produziria com uma tensão de 5 kg no violino (660 Hz ou E5, exatamente a corda que estava faltando), afinei e toquei um pouco a corda. A sonoridade dela lembra um pouco a do nylon mas mais suave. Ela também vibra por um bom tempo (não medi, mas acho que uns 5 segundos) considerando que é uma corda mais curta, mais leve e menor do que uma corda do Qin, achei tudo isso excelente.

O melhor seria fazer um teste com uma corda mais longa, com mais tensão, e com um tom mais grave, mas pelos resultados preliminares acho que as cordas que vou fabricar irão funcionar bem. :)

Um comentário:

Ivan disse...

Não entendi como se giram as cordas. E não seria melhor colocar no lado com 4 pontos, os pontos em círculo (ou no caso de ter 4 um quadrado)? do jeito que está, no final da torção os cabos da ponta estarão mais tensionados que os do centro.