quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Gabarito para Curvatura do Topo

Hoje finalmente fiz o gabarito para furar o topo e criar as referências na hora de fazer a curvatura.

Como eu já disse no post anterior eu iria utilizar outro método para fazer os gabaritos do topo, e hoje eu resolvi criar vergonha na cara e fazer. Depois de muito medir e serrar, finalmente fiquei com todos os gabaritos de MDF no tamanho necessário para regular a profundidade do furos. Ao lado vocês podem vê-los. São 9 gabaritos que serão utilizados da cauda até os ombros, mais 5 gabaritos que serão utilizados no pescoço e na testa, e outros 5 que serão utilizados na ponte.


O números dos gabaritos (0-8 e 0-4) indicam a sequência da profundidade dos furos sendo 0 o mais raso (no centro do Qin) e 8 (ou 4) o mais profundo (nas bordas do Qin). Ao lado dá para ver uma parte da cauda com os furos. São 10 seções com 16 furos (160 furos), mais 9 furos no pescoço, 9 na ponte, e 7 na testa, totalizando 185 furos. Todos feitos com furadeira manual, e furados duas vezes (a segunda para conferir a profundidade).

Agora como os furos estão em profundidades diferentes, se eu for aplainando até todos os furos sumirem e mantendo uma superfície uniforme, no final eu terei o tampo com a curvatura desejada. Para isso eu terei que plainar BASTANTE, e com MUITO cuidado, um deslize pode indicar desde um re-trabalho enorme para tentar recuperar o tampo ou no pior caso que eu gastei todo este tempo para ter uma tábua de madeira sem utilidade alguma.

No final de semana espero começar a fazer a curvatura do tampo.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Marcação para Curvatura do Topo

Hoje fiz as marcações de referência para depois fazer a furação de gabarito para a curvatura do topo do tampo.

O primeiro passo para isso foi fazer traçar a linha central e a linha das bordas da primeira e sétima cordas do Qin. Para isso usei Giz de Linha, foi minha primeira experiência com ele e gostei bastante, é lógico que não tem a precisão de uma linha traçada com estilete e uma régua de aço, mas para medidas longas e que aceitem uma pequena margem de erro é excelente. Ao lado dá para ver o resultado.

Depois de ter traçado as linhas de giz lembrei que precisava riscar uma linha em toda volta da lateral do tampo do ponto mais baixo da curvatura.


Para isso usei um graminho feito na hora com dois pedaços de MDF pregados e colados em 90° e um prego como riscador na distância certa. Ao lado está o graminho e como a linha que risquei com ele não ficou muito visível na foto eu tracei uma linha azul para facilitar a visualização.

Embora eu não tenha tido problemas em fazer esta marcação, teria sido melhor fazer isso ANTES de traçar linhas de giz, já que com o movimento do graminho e da minha mão passando por cima elas ficaram um pouco apagadas em alguns pontos mas nada que tenha atrapalhado.

Após isso eu precisava fazer os gabaritos para fazer a furação dos pontos de referência para o tampo. Para fazer isso eu precisava preparar 13 papéis com divisões nos pontos corretos, no papel da Cauda do Qin eu iria fazer o traçado da curvatura do tampo. Baseado nas divisões, eu iria transpor os pontos de cruzamento deste papel para todos os outros 12, dessa forma projetando a curvatura em vários pontos do Qin. Depois estes papéis seria colados em pedaços de madeira (eu iria utilizar MDF), os pedaços de MDF seriam cortados de acordo com o tamanho do papel, e furados no sentido da linhas de divisões do papel. Depois de ter furado todos, eu teria que cortar o MDF seguindo o contorno da curvatura de cada papel, e só então eu usaria estes 13 gabaritos de MDF como gabarito para fazer os furos de referência no tampo do Qin. Ufa!!

Isso daria um grande trabalho, eu fiz o primeiro papel, transpuz para o segundo, e então resolvi seguir outra idéia que já tinha tido antes. Apenas marcar no tampo quais seriam os pontos a serem furados e fazer um único gabarito de profundidades de furo em MDF. Eu ainda precisei fazer todos os papéis com todas as divisões, mas ao invés de colar em MDF e cortar o MDF eu colei eles direto no tampo eu tracei os pontos de cruzamento já no tampo. Desta forma basta eu alinhar a profundidade adequada com o ponto certo e ir furando. O grande problema deste método é que a chance de eu fazer um furo errado é maior, então vou ter que ter atenção triplicada.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Little Old Qin Maker

Para quem não sabe, Jim Binkley é o principal responsável por essa minha aventura. Graças à sua excelente tradução do Yugu Zhai Qinpu para o inglês e sua enorme paciência respondendo minhas muitas dúvidas. Se não fosse com a ajuda dele talvez eu nunca tivesse ido atrás dessa idéia.

Ele também tem outra responsabilidade, ele tem um blog onde ele fala dos Qins que ele já construiu e está construindo, e a minha idéia de fazer um blog descrevendo a construção de um Qin foi inspirada no blog dele. :)

Então, quem tiver interesse visite também o blog do meu "mentor", o Litte Old Qin Maker.

PS: I hope that somehow he can understand something that I write in portuguese. ;)

Furadeira Manual

Comprei uma furadeira manual para transportar os furos dos gabaritos de MDF para o tampo, estes furos vão servir de referência e guia para a curvatura do tampo então precisam ter uma profundidade e precisão perfeita. Como eu não confio em utilizar uma furadeira elétrica para fazer furos com essa precisão resolvi apelar para a antiguidade, dessa forma eu tenho total controle sobre a pressão e rotação da furadeira, a desvantagem é uma furação mais lenta e mais cansativa.

Essa furadeira também será extremamente útil quando eu for fazer os furos para passagem do Rong Kou (fio esticador) que segura as cordas. Estes furos precisam ser bem perpendiculares e a furadeira manual parece ter um feedback muito bom para esse tipo de furo.

Contornos do Tampo - Parte 3

Hoje fiz mais alguns contornos no tampo do Qin, trabalhei especificamente na ponta da cauda, na cintura e comi um pouco mais do pescoço. Também serrei a cabeça e a cauda para o tamanho correto já que eu havia deixado uns 2 cm de sobra no corte inicial para não ter problemas de lascamento. Ao lado vocês podem ver que aquela tábua de Freijó já está começando a se parecer com um Qin de verdade. :)

Como o que eu fiz hoje foi basicamente desbastar madeira em rebaixo (cintura) ou comer os cantos (causa) ou curvar o contorno (pescoço) então o trabalho teve que ser feito usando basicamente formão e grossa, e isso CANSA, CANSA MUITO!


Como choveu precisei trabalhar dentro de casa, dentro da sala, vocês não fazem idéia da imundice que ficou o chão com serragem e pó.

Eu também retiro o que disse antes, uma bancada faz falta, mas também não pode ser uma bancada qualquer ela precisava ser grande, bem firme e ter duas morsas: uma para prender a madeira e trabalhar na lateral dela (útil para os contornos) e outra para travar a madeira deitada na horizontal para trabalhar no topo (plainar), além de vários grampos para prender a madeira para poder fazer cortes bem feitos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Teste de Material para as Cordas

Algumas pessoas me perguntaram onde eu vou arrumar as cordas para tocar o Qin. Aqui vai a explicação.

O Yugu Zhai Qinpu, ensina um método de fazer cordas de seda (o material tradicionalmente utilizado). Resumindo o método é mais o menos o seguinte:
1) Extrair os filamentos de seda e formar fios utilizando 12 filamentos;
2) Pegar a quantidade de fios necessárias para cada corda e através de um processo conhecido de torcimento as cordas torcidas;
3) As cordas são cozinhadas em uma solução chamada "cola material" compostas de várias resinas e colas vegetais;
4) As cordas mais grossas recebem um enrolamento externo (como cordas de violão).

Este processo tem 2 problemas principais: 1) eu não tenho onde conseguir seda em fios; 2) a "cola material" é extremamente complicada. Além destes dois problemas principais, o enrolamento das cordas mais grossas seria um problema também, mas no meu caso não será.

Inicialmente eu pensei em utilizar fios de nylon no lugar de seda. Fiz alguns testes com o nylon, mas as linhas ficaram muito grossas. Aí pensei em utilizar linha de pesca já que alguns tocadores de Qin já utilizaram este material em períodos de falta de produção de cordas seda, e hoje em dia o tipo de corda mais popular é um núcleo de metal recoberto de nylon (lembrando as cordas de violão). Mas também não ficou bom, as cordas seriam grossas demais, e teriam pouca flexibilidade.

Então resolvi tentar novamente com o nylon, mas desta vez quis substituir a "cola material" também. Fiz um teste com cola branca e tive um resultado pouco satisfatório, aí então pensei em utilizar goma arábica. Como ela é uma resina vegetal assim como a cola material, poderia funcionar. O resultado foi muito bom, mas as cordas ainda estavam grossas demais.

Foi então que pesquisando descobri que a densidade do Poliéster é maior do que o Nylon, sendo assim a corda feita com ele poderia ser mais fina. Comecei a correr atrás de poliéster e descobri que ele é bastante usado em linhas para bordar, e que têm um diametro ainda menor do que o nylon que eu estava utilizando. Ou seja eu teria que utilizar mais fios por serem mais finos, dessa forma o torcimento ficaria melhor (mais fios = melhor ajuste), e como a densidade do poliéster é maior, mesmo utilizando mais fios, a corda ficaria mais fina.

Comecei a procurar linhas para bordar, e deu bastante trabalho para encontrar. No final das contas encontrei apenas linhas em retrós de 170 metros (eu vou precisar MUITO mais do que isso), fiz algumas pesagens preliminares e o resultado foi ótimo. Ontem fiz uma corda com 50 fios, ela ficou com um diametro aproximado de 1,5 mm e massa linear de 1,9 g, resultados EXCELENTES.

A corda que eu fiz pode ser vista ao lado, infelizmente a câmera que estou usando não consegue fazer foco de perto. Na mesma foto dá para ter uma idéia de como é o nó utilizado para prender a corda na ponte. Agora só falta encontrar cones com grande quantidade de fio (4000 m), mas agora não estou muito preocupado com isso já que ainda falta muito para o Qin ficar pronto.

Ah, sobre o enrolamento adicional nas cordas mais grossas. Mesmo o poliéster sendo bem fino, ele ainda assim é mais grosso e pesado do que a seda, então se eu fosse fazer um enrolamento externo adicional a corda ficaria muito irregular e pesada por causa dessa grossura e peso adicional, e como o enrolamento é utilizado justamente para deixar a corda de seda mais uniforme e conferir mais peso à ela (o que não é necessário no meu caso), ele é totalmente dispensável. ;)

PS: Um dos motivos de eu ter adiado tanto a construção do Qin era a falta de um material adequado para fazer as cordas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Plaina Nova e Testes

Esta é a plaina que comprei para auxilar na construção do Qin. Ela será usada para dar acabamento e se tudo der certo ajudará a formar a curvatura no topo do Qin.

Quando cheguei com ela em casa já fui afiar. Afiei, peguei um pedaço de madeira e fui tentar passar ela sem sucesso. Hoje pesquisando mais sobre afiação de plainas descobri como deveria ser o fio dela (em curva e não reto), fiz as alterações necessárias, afiei de novo e SUCESSO!!!


Pra não ficar testando só em pedaços de madeira resolvi passar ela na borda cortada do Qin, ela não precisaria ficar plana já neste estágio da construção (muito ainda será feito nela), mas não faria mal algum dar uma aplainada suave.

Ao lado vocês podem ver o resultado. A lateral não tinha muitas ondulações ou irregularidades (meu corte de serrote mesmo lento foi bom), mas a plaina ainda assim deixou a borda com um aspecto bem melhor. Ponto positivo!

Na foto abaixo, a tábua de madeira onde está a plaina foi meu primeiro teste. A cor avermelhada da madeira estava toda coberta por uma camada de madeira marrom acinzentada (visível ainda nas bordas). Dá pra ver que ela está trabalhando bem. :)

Este é o resultado do chão após os "testes". Então vou terminando este post e vou lá pegar a vassoura para deixar tudo limpinho para quando a patroa chegar em casa.

PS: Vocês perceberam que como não tenho bancada estou trabalhando no chão? Embora a bancada fosse me ajudar bastante, baseado no trabalho que estou tendo não sei se seria tão essencial assim. A peça que estou trabalhando é bem grande e o tipo de corte e tarefas que estou executando precisaria de uma grande bancada com uma grande morsa e vários grampos para fazer alguma diferença. Então melhor trabalhar no chão do que inventar moda e ficar bambeando numa mesa ou bancada pequena.